
Tecnologia sim, mas centrada no utente. Não basta ter equipamentos e tratamentos avançados, é preciso dar atenção aos pacientes e tratá-los de forma humana e o mais possível personalizada. Os oradores que participaram no Lunch&Learn acreditam que o presente e o futuro da Saúde está nestas duas vertentes: apostar na s tecnologias (incluindo tecnologias da informação e da comunicação) e na humanização/personalização dos cuidados.
Maria do Céu Machado considera que a tecnologia trouxe muitas vantagens, mas é necessário centrá-la no cidadão. A Alta Comissária da Saúde prefere falar em cidadão, já que a saúde não é apenas para quem está doente e se dirige aos serviços de saúde, mas também para as pessoas que, pelos mais variados motivos, não têm acesso aos cuidados de saúde e para quem é alvo de campanhas de promoção em saúde. “Hoje em dia já não basta haver tratamento, é preciso que o cidadão se sinta bem”, afirma. As tecnologias deverão ser uma ajuda e sempre acompanhadas de cuidados humanos e personalizados. No seu entender, esta questão é cada vez mais essencial, se se tiver em conta que se tem uma população cada vez mais envelhecida, há mais doenças crónicas, há mais doenças súbitas e catástrofes provocadas pelas alterações climáticas. “Além disso, as pessoas estão mais informadas e têm mais expectativas, achando que tudo se pode fazer na Medicina”, refere.
A responsável sublinha ainda as questões de ética com que se deparam os profissionais de saúde quando têm ao dispor certas tecnologias. Exemplo disso são os grandes avanços que têm ocorrido e que suscitam várias questões, como as células estaminais ou a clonagem.
Margarida Eiras também é da opinião de que é necessário haver um bom equilíbrio entre as novas tecnologias na saúde e a humanização e personalização dos cuidados. “É preciso respeitar os valores dos cidadãos e as suas preferências individuais”, refere. A docente relembra que estamos num mundo globalizado, onde há várias culturas com diferentes necessidades e valores. “Isto exige muita informação, comunicação e educação e nem sempre se distingue informação de educação”, alerta.
O debate continua aqui na Rede Social do Fórum Hospital do Futuro.