Hospital do Futuro

Pensar hoje a saúde que queremos amanhã

Durante uma das minhas deambulações pela internet há mais de um ano atrás, encontrei uma referência a Lares destinados a Gays. Hoje percebo que não é essa a terminologia correcta mas sim Lares destinados à comunidade LGTB.

Desde essa altura que tenho referido este exemplo para demonstrar a necessidade de, no tratamento de assuntos relacionados com o envelhecimento, assumirmos um papel de desconstrutores dos modelos actuais que tratam das pessoas idosas e iniciamos um novo percurso olhando para as necessidades reais dessas pessoas e para a evolução que a sociedade tem tido e adequando as nossas ideias a essas novas necessidades. Pareceu-me até que a ideia de Lares para a comunidade LGTB poderia ser uma boa oportunidade de negócio e uma forma de ultrapassarmos algumas barreiras hipócritas que mantem a ideia de que só os pobres e os pobres e os necessitados de cuidados são velhos.

Para não falar como os comentadores políticos e económicos do País (que percebem de tudo e são autenticas enciclopédias, errando miseravelmente nos seus prognósticos), motivei a criação de um grupo muito interessante, constituído por 3 psicólogas que, durante mais de um ano pesquisou sobre Lares para a comunidade LGTB, realizou contactos, analisou situações e procurou visitar unidades destas sem êxito.

Completamos o ciclo recentemente numa reunião realizada com o Presidente da ILGA que se veio a revelar muito interessante mas ao mesmo tempo algo frustrante.

Em Portugal não existe qualquer conhecimento sobre como a comunidade LGTB envelhece, reconhecendo-se mesmo que os elementos desta comunidade deixam praticamente de recorrer aos serviços de saúde para impedirem o conhecimento da sua característica e evitarem descriminação. Nos Estados Unidos alguns elementos da comunidade afirmam que após terem saído do armário, voltam a entrar no armário ao envelhecerem.

Para a ILGA não é aparentemente interessante o projecto de Lares especificamente para LGTB, pensando que isso poderia aumentar a descriminação, tendo sido dado o exemplo de um lar destes em que os seus residentes não saiam do lar para a comunidade onde o Lar estava construído, que não os aceitava, ficando completamente isolados.

Se é certo que a posição da ILGA faz sentido não podemos deixar também de pensar que o envelhecimento atinge todos os homens e mulheres e que não será aceitável que as características específicas de cada um de nós não sejam reconhecidas no nosso envelhecimento.

Podendo não ser ainda a altura certa para aprofundar o assunto, pendo que é interessante começar a ser discutido com toda a naturalidade e frontalidade.

Lares específicos para a comunidade LGTB, sim ou não?

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