Misericórdias: Cooperação com as Autarquias
Oradores:
Fernando Seara, Presidente da Câmara Municipal de Sintra
Manuel Lemos, Presidente da União das Misericórdias Portuguesas
Moderadora:
Maria de Belém Roseira, Presidente da Comissão Parlamentar de Saúde
A Presidente da Comissão Parlamentar de Saúde, Maria de Belém Roseira, foi a moderadora do Lunch&Learn sobre “Misericórdias: Cooperação nas Autarquias” e lançou o mote: como conjugar uma sociedade competitiva com as necessidades sociais, nomeadamente na área da Saúde. O Presidente da Câmara Municipal de Sintra, Fernando Seara, considera essencial continuar a haver uma ligação entre as autarquias e as misericórdias, embora veja as parcerias actuais como “mitigadas e incompletas”. O Presidente da União das Misericórdias Portuguesas, Manuel de Lemos, concorda e defende a criação de uma comissão mista entre a União das Misericórdias Portuguesas e a Associação Nacional dos Municípios Portugueses.
Fernando Seara começou por destacar o papel das autarquias a nível social, que, no seu entender, nem sempre é reconhecido. Realçou ainda as cooperações entre as autarquias e as misericórdias, apesar de ainda ser necessário melhorar o intercâmbio entre estes dois agentes sociais. O Presidente da autarquia de Sintra mostrou também insatisfação perante as ajudas que provêm do Estado e que não são suficientes face às necessidades com que as autarquias se deparam todos os dias. A solução está numa sólida política social local que determine as limitações e as possibilidades das autarquias no sector social, assim como uma melhor interacção entre os diferentes sectores da sociedade.
Manuel de Lemos também considera que o Estado não dá os apoios necessários e que as parcerias entre misericórdias e autarquias poderiam melhorar. Falando da transferência de competências sociais do Estado para as autarquias – nas quais as misericórdias podem ter um papel-chave na execução dos projectos -, vê com alguma desconfiança esta transferência, já que na discussão governamental desta temática as misericórdias não foram ouvidas. Além disso, esta transferência, no seu entender, ainda precisa de ser esclarecida a nível do financiamento. Como solução para o desenvolvimento do sector social, Manuel de Lemos defende a criação de uma comissão mista entre a União das Misericórdias Portuguesas e a Associação Nacional dos Municípios Portugueses.