
Prevenir a doença venosa
O tromboembolismo venoso, ou seja a formação de coágulos de sangue nas artérias, é um grave problema de saúde e é cinco vezes mais frequente do que as infecções hospitalares, referiu Ana França, coordenadora do estudo multinacional ENDORSE que envolveu 358 hospitais e 32 países no mundo. A responsável chamou a atenção, no Lunch&Learn do Fórum Hospital do Futuro, para a necessidade de haver mais monitorização do problema que põe em risco a população hospitalizada ou que esteve recentemente internada.
O segredo no combate a esta doença está na profilaxia, isto é, na prevenção da doença. Dos 358 países que participaram no estudo ENDORSE, Portugal encontra-se no quarto lugar. Os doentes mais afectados são os mais graves, nomeadamente quem é internado por problemas pulmonares e cardíacos. Além do uso de medicamentos, pode-se também recorrer a meias compressoras e aparelhos de compressão que ajudam o sangue a circular.
O Coordenador Nacional para as Doenças Cardiovasculares referiu, no evento que foi patrocinado pela Covidien, que se trata de uma realidade difícil, já que envolve diversas especialidades da Medicina, o que dificulta o trabalho de se definir uma estratégia. No seu entender, é essencial apostar-se nos sistemas de informação em saúde que permitem recolher todos os dados relacionados com o tromboembolismo venoso. «É necessário fazer-se uma análise epidemiológica», disse. O coordenador referiu ainda que é necessário dar-se mais atenção a este problema, já que se trata de uma questão pouco valorizada.
Ana França referiu que, de acordo com o estudo ENDORSE, a prevenção evita a doença, traz mais qualidade de vida aos doentes, reduz os acidentes cardiovasculares e diminui os gastos na Saúde. Mas, para que haja mais prevenção é necessário sensibilizar mais os profissionais de saúde para o problema e adoptar linhas de orientação que ajudem a definir estratégias.