Oradores
Faustino Ferreira, Sociedade Portuguesa de Medicina Interna
Pedro Lopes, Presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares
Moderador
José Barros da Silva, Internista
Faustino Ferreira vê com bons olhos o presente e o futuro da Medicina Interna, apesar de ainda ser necessário tomar várias medidas. Actualmente, o número de internistas está a aumentar e não se trata apenas de um fenómeno local. Em toda a Europa, a Medicina Interna é vista cada vez mais de uma forma positiva, tal como acontece nos EUA, onde é considerada essencial na Saúde. Faustino Ferreira sublinhou a importância de iniciativas como a Escola Europeia de Medicina Interna, que nos últimos três anos se realizou em Portugal e o Congresso Europeu de Medicina Interna que também se realizou no nosso país.
O responsável da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna acredita que esta especialidade vai ter um papel importante no Hospital do Futuro. No seu entender, o Hospital do Futuro vai radicar na forma como se lida com a cultura inter-profissional, a gestão de recursos, a produtividade e o lugar do doente. “O internista está à cabeceira do doente” e vê- o de uma forma integradora, já que tem formação em diversas áreas. Em termos de investigação, estes médicos também podem dar um contributo precioso à ciência, segundo Faustino Ferreira. “São os especialistas da multi-patologia”, disse.
O Presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares baseou-se em alguns pressupostos lançados pela Federação Europeia de Medicina Interna, nomeadamente na perda de identidade da especialidade, cujo papel ainda se confunde com o da Medicina Familiar, Clínica Geral e algumas práticas de enfermagem.
Pedro Lopes considera que a Medicina Interna é essencial no hospital, do futuro ou do presente. Com o envelhecimento da população, a polimorbilidade e as doenças crónicas, a Medicina Interna é essencial por ver o doente de uma forma integrada. Mas, é necessário criar mais competências no ensino e na investigação e preservar a Medicina Interna como uma disciplina autónoma. No final apresentou alguns dados que demonstram como a especialidade pode ter bons resultados em termos de custo-benefício.
José Barros da Silva, o moderador da sessão, salientou a humanização da Medicina Interna, por ter uma visão integradora do doente e defendeu que esta perspectiva deverá existir no Hospital do Futuro.