Há cerca de cinco anos iniciámos num lar de Idosos um trabalho que visava a experimentação de um novo modelo de gestão deste tipo de unidades.
O modelo actual é um modelo social, estando os Lares no âmbito da acção so Ministério do Trabalho e Solidariedade Social. Por isso ou por outras razões a grande maioria das Direcções Técnicas são ocupadas por técnicos da área social.
Acontece que a maioria (mais de 80%) dos clientes de Lar de Idosos são portadores de doença crónica e dependência, com necessidade de cuidados de saude. Os lares não têm técnicos de saude em tempo necessário para avaliarem essas necessidades, para prevenirem a deterioração do estado de saude ou para responderem a pequenas situações que se agravam durante o dia ou a noite.
O quadro é negro: escaras, acamados permanentes, quedas, recursos a urgência hospitalar com consequente internamento, muitas vezes prolongado.
Há pois que reflectir sobre a situação.
Dois caminhos devem ser explorados: o primeiro é a mudança da legislação diferenciando os lares em, pelo menos duas tipologias: dependentes e independentes. O segundo é alterar o modelo social para um modelo de saude em que a avaliação de necessidades seja obrigatóriamente feita por técnicos de saude.
Também há alguns anos atrás, um amigo economista e gestor aconselhava-me a não ir por este caminho, até porque isso iria alterar o equilibrio das finanças entre o Ministério do Trabalho e Solidariedade Social e o Ministétrio da Saude. Isto porque mudando o modelo, os lares passariam a cair na esfera do Ministério da Saude, aumentando os custos ao SNS.
Não é verdade. Numa avaliação recente que fizemos no lar onde desenvolvemos actividade profissional, concluimos que a introdução de uma equipa de enfermagem de 24 horas diminui em mais de 70% os recursos às urgências hospitalares, os dias de internamento hospitalar, incluindo cuidados intensivos, os exames complementares de diagnóstico, as escaras, as quedas e traumatismos dos residentes.
Como se sabe muitas das urgências hospitalares são de idosos oriundos de lares porque basta terem um acesso mais profundo de tosse para serem enviados à urgência, já que não existem técnicos nesses lares para avaliarem a situação correctamente e impedirem esse recurso, resolvendo o problema com pequenos meios à sua disposição.
Somando todas as urgências de idosos nestas circunstâncias, todas as quedas que os mesmos dão tanto nos lares como quando ficam abandonados nos corredores dos S.O. porque são idosos dum lar, todos os internamentos em consequencia dessas situações, cirurgias, dias de cuidados intensivos, escaras e tratamentos, exames complementares de diagnóstico não seria que o SNS poderia sair beneficiado? O que acontece é que os idosos em lares custam duas vezes ao Estado: a comparticipação do MTSS e os recursos ao SNS suportados pelo MS.
Muitos pensarão que os cuidados continuados respondem a uma parte deste problema. Falso.
Saibam quantos residentes de lar que são enviados ao Hospital porque estão verdadeiramente incapacitados, tem alta do hospital para cuidados continuados... quase nenhum.
As comissões de alta parece que entendem que ser residente de um lar é condição para toda a vida e naqueles casos envia-os novamente para o Lar. Infelizmente.
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