Hospital do Futuro

Pensar hoje a saúde que queremos amanhã

"A hospitalização privada mostrou ser capaz de constituir uma rede verdadeiramente alternativa"

Em entrevista ao Fórum Hospital do Futuro, o Presidente da Direcção da APHP - Associação Portuguesa de Hospitalização Privada, Eng. Teófilo Leite, afirma que "o futuro da saúde em Portugal passará cada vez mais pela iniciativa privada".


Hospital do Futuro ( HdF): Quais são os eixos prioritários da Associação Portuguesa de Hospitalização Privada?

TL.: Convicta de que não podemos, no domínio da Saúde, assentar os desafios do presente e do futuro, que são inevitavelmente outros, sobretudo do ponto de vista do financiamento, nas conquistas de bem-estar do passado, sem que exista um equilíbrio na evolução da receita, a APHP procura sensibilizar os agentes do sector para a viragem necessária: um Estado que garante e regula a prestação competitiva, de acordo com as leis do mercado, de serviços de saúde.

Para isso preconiza uma reforma que introduza diversidade, escolha e concorrência, sem colocar em causa o acesso universal e o Estado Garantia. A liberdade do cidadão para escolher o prestador, a separação entre prestação e financiamento e a existência de um Estado Garantia com a intervenção do mercado são princípios estruturais básicos para assegurar um sistema de saúde português sustentável e eficiente.

No actual contexto sócio-econónico, caracterizado pela crescente transnacionalidade dos cuidados de saúde, realidade da qual a nova directiva europeia é apenas o reflexo; pela necessidade de mais Europa na Saúde, de maior convergência dos standards e dos modelos de saúde europeus, o e-health, que vale €15 biliões/ano e é o mercado do domínio da saúde com o crescimento mais acelerado, será também uma inevitabilidade, cujo desenvolvimento a APHP defende como forma de consolidar, no terreno, os princípios referenciados.

 

Hospital do Futuro ( HdF): Na sua opinião, qual o futuro dos serviços hospitalares privados em Portugal?

TL.: De ostracizada, a hospitalização privada portuguesa passou a tolerada. Teve um crescimento exponencial na última década e conquistou, por mérito próprio, o reconhecimento da população e dos parceiros dos diversos sectores. É hoje uma evidência que os portugueses já não dispensam os cuidados da rede privada de saúde, tendência que continuará a acentuar-se em função do desinvestimento inevitável na rede pública.

A APHP defende o desenvolvimento em Portugal de um verdadeiro Cluster da Saúde, do qual a hospitalização privada pode ser um motor, que criará valor em diversos sectores da economia nacional. Para além do know-how na concepção e gestão de unidades de saúde, poderá estimular outros sectores da economia, nomeadamente a indústria farmacêutica, do dispositivo médico, têxtil, consumíveis clínicos, tecnologias de informação e biotecnologia, todas com claras possibilidades de exportação de bens, mas também de serviços. O potencial de exportação de conhecimento por parte das Universidades de Medicina, verdadeiras fábricas do saber, é igualmente imenso. Neste contexto, não faz sentido continuar a limitar a formação médica, sobretudo quando temos de importar clínicos todos os dias.

Os investimentos privados em curso potenciarão também a competitividade do próprio sector do turismo, induzindo a procura de cuidados de saúde portugueses por parte de pacientes estrangeiros e o aumento da procura no “nicho” de mercado do turismo sénior de elevado valor acrescentado, como o turismo sénior de última residência e o turismo de bem-estar.

Aos hospitais privados está reservado um papel verdadeiramente transversal no desenvolvimento assistencial, económico-financeiro e cientifico do sector da saúde, bem como de uma série de outros com ele confinantes.

 

Hospital do Futuro ( HdF): Com o desenvolvimento crescente da hospitalização privada portuguesa, qual a importância de mais parcerias público - privadas no sistema de saúde português?

TL.: Na última década foram constituídos mais de 20 novos hospitais privados e apenas uma ínfima parte nesse modelo de PPP. Ou seja, a hospitalização privada mostrou ser capaz de constituir uma rede verdadeiramente alternativa ao sector público por sua conta e risco. Por outro lado, em função das determinações da Troika, assiste-se a alguma indefinição quanto ao futuro de novas PPP na Saúde. Não é ainda claro que estas estejam incluídas no pacote de parcerias a anular pelo Governo.

 

Hospital do Futuro ( HdF): Relativamente à complementaridade de serviços hospitalares, público - privada, como caracteriza a evolução desta ligação hospitalar ao longo do tempo?

TL.: A actividade dos privados em colaboração com o SNS tem essencialmente quatro pontos de contacto: SIGIC e outras convenções, a empresarialização de hospitais públicos, os concursos de concepção/construção de novos hospitais e a concessão da gestão de centros de saúde e hospitais a operadores privados.

Estas, por si só, constituem mudanças estruturais de grandes proporções, que têm permitido intensificar a complementaridade. Contudo, representam pouco, sobretudo se considerarmos que no domínio da hospitalização privada portuguesa se assiste hoje a uma verdadeira mudança de paradigma. O financiamento de seguradoras e subsistemas de saúde – que representam já mais de 40% da população – fez emergir nos últimos anos um sector privado mais sofisticado, maduro e independente.

 

Hospital do Futuro ( HdF): Em que medida os serviços de hospitalização privada podem  responder às lacunas do Sistema de Saúde português?

TL.: O futuro da saúde em Portugal passará cada vez mais pela iniciativa privada, cuja rede é uma verdadeira alternativa ao sector público e se caracteriza hoje por uma assistência médica integral (equipas constituídas pelos melhores profissionais e em dedicação exclusiva, apoiadas por modernas tecnologias), serviços de saúde de elevada qualidade e diferenciação (com condições para o tratamento de casos clínicos complexos e que até há pouco tempo apenas o podiam ser no sector público) e cuidados de saúde numa perspectiva de integração/rede.

A oposição ideológica entre público e privado está cada vez mais desfasada da realidade e em nada serve os interesses, as necessidades e os direitos dos cidadãos. A preocupação dos dias de hoje deve ser a definição de um modelo de unidade de saúde capaz de responder com eficiência aos desafios da realidade social e económica.

Os hospitais privados têm a preferência dos cidadãos, num contexto de grandes desafios económicos e financeiros, porque realizam uma gestão virtuosa e não uma gestão política da assistência médica; visam a inovação, incorporam sistematicamente tecnologia e apostam na valorização da formação continuada dos profissionais; têm uma visão moderna da medicina – personalizada, preditiva, preventiva e participada; e são os parceiros naturais dos seguros privados de saúde, que os cidadãos tendem a privilegiar como garantia de uma assistência continuada que permita manter um estado geral de boa saúde.

É essencialmente por isto que se impõe hoje a Liberdade de Escolha do paciente. A Liberdade de Escolha não se justifica por uma qualquer teimosia de gestão, mas tem fundamento no dinamismo e na mobilidade que a sociedade hoje exige e poderia conhecer um impulso extraordinário com a adopção do dossier clínico electrónico, inclusive no domínio transnacional.

 

Exibições: 63

Comentar

Você precisa ser um membro de Hospital do Futuro para adicionar comentários!

Entrar em Hospital do Futuro

Bem vindos ao Fórum Hospital do Futuro!

Quer colocar o nosso canal de web TV no seu blog ou site? Daremos cobertura especial aos seus conteúdos e eventos Contacte-nos para mais informações.

Fotos

Carregando...
  • Adicionar fotos
  • Exibir todos

© 2012   Criado por Fórum Hospital do Futuro.

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço