No passado fim-de-semana fomos alertados por mais uma bombástica noticia sobre Idosos: o fecho de um Lar de Idosos privado, perto de Rio Maior, onde se encontravam 120 residentes num espaço que tinha sido autorizado para 40 residentes. Não só a lotação era escandalosa como as condições de higiene eram desadequadas ou inexistentes, o que justificou também a intervenção da ASAE.
Esta iniciativa foi considerada de tamanha importância que teve presente o Exmo. Senhor Presidente do Instituto de Segurança Social, I.P. , Dr. Edmundo Martinho e demais autoridades. Tornou-se, nesse dia e no seguinte, um verdadeiro exemplo da atenção e eficiência dos nossos serviços de Segurança Social na defesa intransigente dos mais elementares direitos das pessoas Idosas.
Por este País fora, foram desejadas as maiores desgraças aos donos daquele Lar.
Como técnico a desenvolver trabalho nesta área há alguns anos, é cauteloso nunca emitir opinião mediática e, especialmente, apressada. Deixemos isso para os jornalistas que é a sua função e para alguns incautos, que é a sua mania e, às vezes, desgraça.
Pensei primeiro como seria possível os familiares daqueles residentes aceitarem a situação tão dramática e violentamente descrita. Será que os familiares não iam ao Lar? É assim tão fácil esconder 120 pessoas numa instalação em que só deviam estar 40? O Lar não tinha um médico, nem um enfermeiro, nem ninguém que ficasse chocado com a situação e a tivesse denunciado? Coisas estranhas que a noticia não avançava e que ninguém tinha perguntado.
Três dias depois, os mesmo jornalistas (estou a especular em relação aos jornalistas) que foram convidados para assistirem aquela iniciativa moralizadora da Segurança Social em parceria com a ASAE, noticiam que uma parte dos residentes do Lar que foi encerrado, tinham sido enviados pelos Hospitais Miguel Bombarda e Júlio de Matos com acompanhamento de técnicos de serviço social daquelas Instituições!
Eu repito: uma parte dos 120 residentes que viviam num Lar com autorização para ter 40 camas tinham sido enviados pelos Hospitais Públicos Júlio de Matos e Miguel Bombarda com acompanhamento de técnicos sociais daqueles Hospitais e seriam pagos por aquelas Instituições`.
E agora?...
Vai o Dr. Edmundo Martinho (Presidente de um Instituto do Estado) pedir responsabilidades à Drª Ana Jorge (ministra do Governo)? Fechou-se um Lar que provavelmente sobrevivia com o dinheiro que o próprio Estado pagava!
Tudo isto é demasiado contraditório e grave e eu fico mesmo por aqui, tentando dar um certo humor de forma a desdramatizar o "nojo" desta situação que se repete por este País fora e que só é possível numa sociedade que não respeita os seus Idosos.
É necessário contrariar esta situação, denunciando todos os casos semelhantes mas acima de tudo procurar e propor soluções que tardam em surgir através das entidades oficiais.
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