Hospital do Futuro

Pensar hoje a saúde que queremos amanhã

Casa roubada, trancas à porta. Lá diz o ditado que traduz a sabedoria milenar do nosso povo. Mas no que diz respeito aos incêndios em Portugal, parece que as trancas que são postas surtem efeitos pouco consistentes. Por exemplo, em 2008 a área ardida foi de tão somente 17.244 hectares, mas já em 2003 arderam quase meio milhão (425.726) de hectares e este ano tudo aponta para 180.000 hectares. Um artigo na wikipedia mostra bem a evolução da área ardida em Portugal desde 1998 e permite-nos tirar algumas conclusões, com implicações para a Saúde:

1. O fenómeno dos incêndios não pode ser controlado, cada ano ocorrem incêndios de forma natural ou intencional. Da mesma forma em saúde, a manifestação da doença não pode ser controlada - ela ocorre de forma natural ou intencional.

2. As estratégias de combate ao incêndio não são eficazes em incêndios provocados intencionalmente aproveitando as condições atmosféricas favoráveis à sua propagação. Da mesma forma a estratégia de combate à doença é ineficaz sempre que os comportamentos de risco estão presentes, em particular a obesidade, dependência da nicotina, alcoolismo, para não falarmos em profissões de risco e nos acidentes rodoviários.

3. "Portugal sem fogos depende de todos", assim reza a campanha de mobilização da cidadania para o combate preventivo aos incêndios. É evidente pela quantidade de mata ardida este ano que nesta matéria existe ainda muito por fazer em Portugal. Se quisermos de verdade aplacar o flagelo dos incêndios, o principal esforço do País terá que ser feito na prevenção, posto que a falta de meios e de preparação para combate já não são hoje um problema.

Do mesmo modo um lema nacional para "Portugal com Saúde" deveria apelar à mobilização de um esforço colectivo na prevenção da doença. Associações recreativas e desportivas em conjunto com as escolas, com as empresas, com as suas autarquias (câmaras municipais, juntas de freguesias e até assembleias de condomínios), todas podem ter um papel num sistema nacional de promoção da saúde e de prevenção da doença. Não se trata apenas de dar subsídios a quem incentiva a prática do desporto, embora isso ajude. Trata-se de desenhar uma estratégia de actuação articulada e coerente, por exemplo a criação de uma caderneta de "boa forma física", com objectivos negociados no centro de saúde e implementados por entidades associadas constituidas como uma rede local de "saúde e bem estar". A sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde tal como o desejamos dependerá muito deste tipo de medidas preventivas. Vejam o exemplo do flagelo dos incêndios em Portugal!


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