Hospital do Futuro

Pensar hoje a saúde que queremos amanhã


No âmbito da Presidência Europeia da UE, e como habitual no país que preside, multiplicam-se e desdobram-se aí as reuniões interministeriais e encontros inter-regionais mais importantes. Mas, apesar de toda carne que tem sido posta no assador, o governo de Espanha ficará sempre com um mau sabor de boca: a ausência de Barack Obama na cimeira Europa-Estados Unidos. É que os problemas no mundo de hoje residem no facto de serem os principais países do mundo, com os Estados Unidos à cabeça, aqueles que têm os maiores problemas. E os problemas internos dos Estados Unidos, em particular a reforma da saúde, obrigam Obama a cerrar fileiras e nao perder tempo com qualquer outra coisa que lhe possa fazer perder a sua base de poder. O mesmo eleitorado que viu renascer a esperança num mundo melhor está agora à beira de um ataque de nervos. Afinal, o final da crise não está à vista e, precisamente nestas alturas, propor uma reforma da saúde que peca por falta de consenso e cujo sistema de financiamento proposto é em si mesmo motivo de discórdia requer muita coragem política e poucas viagens ao estrangeiro.


E o que dizer de Portugal? Precisamente o mesmo sucederá. Ninguém poderá nesta altura fazer nada para impedir a morte lenta do sapo no caldeirão de água morna, que pouco a pouco vai aquecendo com a falta de sustentabilidade financeira para uns gastos em saúde que superam sempre o aumento dos gastos orçamentais do Estado. Até quando podemos aguentar em Portugal, como em qualquer outro país na Europa, sem termos também uma reforma nos sistemas de saúde?


Curiosamente em Portugal estão a acontecer coisas que são únicas na Europa e que nos podem colocar em breve na vanguarda, como exemplo das melhores práticas de governo em saúde. Faremos escola? Desde a transformação ocorrida nos cuidados primários, com as Unidades de Saúde Familiares e Unidades Locais de Saúde, e mais recentemente a revolução nos Cuidados Continuados, podem efectivamente vir a fazer escola em toda a UE, se os resultados se mantiverem como até aqui. É muito importante não parar estas reformas, que podem ter um efeito sinergístico importante na obtenção de fortes ganhos em saúde e portanto na diminuição do gasto per capita em saúde a médio prazo.


Falta apenas em Portugal consubstanciar uma outra reforma em Saúde, a revolução da e-saúde. Tal como o governo conseguiu no ensino com o projecto Magalhães, primeiro caso na Europa, também é chegado o momento de potenciar a introdução do registo electrónico único do paciente, criando uma base de dados comum para o armazenamento de dados clínicos, que possam ser facilmente consultados por qualquer entidade prestadora, com a simples autorização do próprio utente. Estes e outros temas relacionados serão abordados na eHealth Week 2010, a decorrer em Barcelona entre 15 e 18 de Março. A e-Health Week 2010 inclui 2 eventos: a Conferência Ministerial de Alto Nível sobre eHealth (High Level eHealth Conference) e a Conferência e Exposição Mundial das TI em Saúde (WoHIT). O Fórum Hospital do Futuro organiza um grupo para a participação nesta exposição. Se está interessado em juntar-se a nós, inscreva-se aqui.

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