No hemisfério Sul atravessamos um período estival onde milhões de pessoas aproveitam a pausa escolar para descansar e estar junto dos seus familiares mais próximos, tal como sucede no hemisfério Norte, durante o mês de Agosto.
A palavra "Féria" provém do latim 'feria, -ae', singular de 'feriae, -arum', que significava, entre os romanos, o dia em que não se trabalhava por prescrição religiosa. Mas que tem tudo isto a ver com a Saúde? Os períodos de descanso são importantíssimos para restabelecer um equilíbrio entre períodos de mais intensa atividade, sempre que o balanço geral seja a obtenção de ganhos de produtividade e a salvaguarda da prosperidade. De outro modo, o conceito de "descanso" perde sentido e aproxima-se mais dos conceitos de lassidão, preguiça, falta de zelo. Enfim tudo o que pode caracterizar um trabalho pouco produtivo tal como é a imagem que deixam os países do Sul da Europa e antes deles, também de toda a América do Sul.
E no entanto, as coisas estão a mudar. Os países da América do Sul, com o Brasil à cabeça apresentam hoje indicadores de crescimento económico que são invejáveis por toda a Europa. O Chile consegue ter hoje melhor "rating" que a Espanha, segundo uma conhecida agência de qualificação de riscos de crédito.
Portanto, este conceito de "dolce far niente" associado aos povos mais pobres do planeta revela ser enganador. Pode haver muito "dolce" na atitude geral dos Brasileiros em relação à vida mas isso pouco parece afetar o resultado do PIB do Brasil. O mesmo com respeito à ideia que os povos do Norte da Europa têm em relação aos países do Sul, como a Espanha, onde o mito da sesta após longos almoços fazem parecer que a produtividade não é o seu forte. E no entanto, a Espanha apresenta um índice de produtividade de 107,9 bem perto da média da zona Euro (113,8) e bem distante do de Portugal 65,2 país onde não se pratica a sesta e onde se acaba de incrementar o horário laboral.
Mas será realmente que aumentar o número de horas de trabalho nos estabelecimentos de saúde poderá trazer mais produtividade? Será que os tempos de espera em centros de saúde diminuem em função do incremento do horário de atendimento? Se essa fórmula resultar, Portugal teria que abolir o descanso aos Sábados para se poder aproximar da produtividade média da zona Euro. Mas eu intuo que a solução para aumentar a produtividade esteja mais na forma como se organiza o trabalho do que no somatório da duração do mesmo. E também no modo de colaborar entre si e até na atitude perante a vida. Não é o mesmo "trabalhar para viver" que "viver para trabalhar". Talvez os portugueses precisem de mudar de lema e começar a "conviver" mais e a desfrutar mais do seu próximo, e com isso encontrar uma forma de combater esta longa e duradoura crise.
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Imagem obtida no blog Freebirds: aqui
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