Hospital do Futuro

Pensar hoje a saúde que queremos amanhã

Este passado mês de Novembro não passou despercebida a estrondosa vitória do Partido Popular em Espanha e a estrepitosa derrota do Partido Socialista Operário Espanhol. Surpreende a amplitude da vitória ou derrota, mas não surpreende o resultado em si. A crise passou a sua factura aos partidos políticos no poder, dirão alguns. Mas isso não explica que na Catalunha por exemplo, o partido político que está a fazer enormes ajustes veja a sua base eleitoral reforçada nestas ultimas eleições e o mesmo sucede em Portugal, onde apesar dos enormes sacrifícios que estão a ser pedidos aos portugueses, a intenção de voto mantém-se inalterável a penalizar o PS.

Parece então que está a nascer uma nova consciência colectiva na qual as pessoas compreendem por fim que a política têm um papel determinante nas suas vidas e que já não podem continuar a fazer como até aqui, permanecer indiferentes ao livre arbítrio daqueles (poucos) que se organizam em partidos políticos e que com os votos de 2 milhões governam um país de quase 10 milhões de habitantes. Espero que essa nova consciência política possa ser bem canalizada em torno de projectos mobilizadores de toda uma nova sociedade europeia, à semelhança daquilo que ocorreu no Brasil, durante os mandatos de Lula da Silva. 

A meu ver a Saúde pode ser um eixo de desenvolvimento de um País com um valor estratégico incalculável. Políticas de Saúde que estão a ser aplicadas no Brasil, em cenários de forte escassez de recursos, devem agora ser revisitadas pelas nações supostamente mais ricas no sul da Europa, e em particular Portugal e Espanha, cujos sistemas de saúde apresentam indicadores de resultados invejáveis, mas infelizmente completamente insustentáveis.

Num Estado tecnicamente falido, os cortes em despesas de Saúde são provavelmente aqueles que mais impacto imediato possam ter nas contas públicas. Mas cortar sem usar critérios adequados de gestão acaba por ter efeitos contraproducentes tão ou mais graves como aqueles que foram provocados pela má gestão despesista que possa ter havido até aqui.

Para além do corte na despesa, os Estados membros da UE devem questionar se não poderiam ser conseguidos ganhos substanciais pela partilha de recursos. Se faz sentido dispor de um serviço de fronteiras único para todos os países da UE no chamado espaço Schengen, não fará sentido criar outro tipo de "espaços" europeus onde se partilhem outro tipo de políticas, como em Saúde, por exemplo? Não seria a Península Ibérica um excelente caso para o efeito? Imaginemos os Transplantes, como um ponto de partida, ou o Sangue. Uma base de dados comum, que possa ser ampliada a mais e mais serviços comuns, sem esquecer a compra de medicamentos ou a Qualidade. Tudo isto fazendo poupar dinheiro às economias de cada uma das Regiões que compõem a Península Ibérica, incluindo a Madeira e os Açores? 

Estas e outras questões poderão ser debatidas na próxima II Cimeira Ibérica de Lideres em Saúde, que decorrerá nos dias 26 e 27 de Janeiro e cuja informação poderá ser obtida aqui.   

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