
Depois de um final de decénio doloroso, o século XXI oferece-nos agora uma segunda oportunidade neste segundo decénio, como que a dizer: mudam-se os tempos, mudem-se por isso as vontades! A brutal crise financeira que acabamos de sofrer, cujos prelúdios podiam já ser identificados na quebra de gigantes como a Enron e o desaparecimento da firma Arthur Andersen, juntamente com os 63,4 biliões de dólares em activos dessa malograda empresa energética.
Realmente, custa a acreditar que essa lição em 2001 que custou vidas e o emprego de milhares de pessoas não tenha sido suficientemente aprendida pela indústria financeira. O final deste último decénio arrastou atrás de si o afundamento de pelo menos um país inteiro, inúmeros bancos, a indústria automóvel dos Estados Unidos e por arrasto quase a totalidade do sistema financeiro mundial, não fosse a existência de uma intervenção exemplar e coordenada dos governos dos 22 maiores países do mundo. E o que é que o ano de 2010 nos traz por diante? Será que é desta que aprenderemos a lição? E a que preço?
Do ponto de vista da saúde em Portugal, os cenários são de um moderado optimismo. Por um lado, os constrangimentos orçamentais serão o grande factor de oportunidade para as empresas que possam oferecer produtos ou serviços mais baratos (genéricos, no caso dos medicamentos) e/ou bens de equipamento que reduzam objectivamente os custos de operação (e que, por esse motivo, se paguem a si mesmos). Será também um factor de oportunidade para uma maior cooperação público-privado. Com efeito, os recursos que se gastam em saúde acabam por ter todos a mesma origem e, se o Estado conseguir manter o mesmo nível de serviço às populações e com isso gastar menos dinheiro de impostos, seguramente que será melhor para todos.
Finalmente num mundo cada vez mais global, o que é que os portugueses podem dizer ao mundo? Talvez possam dizer justamente que falam o Português. Quem não fica orgulhoso de chegar ao Brasil e ver crescer aí as mesmas cadeias hoteleiras em Portugal? Da mesma maneira que os angolanos que chegam a Portugal se orgulham de ver o seu principal banco estabelecer-se cá, e os brasileiros verem aparecer em Portugal as suas empresas de sucesso. É a emergência de um espaço lusófono global do qual todos nos devemos orgulhar. E o que se passa com respeito à lusofonia na Saúde? A língua portuguesa é uma vantagem competitiva (também) em Saúde? Poderá este sector ser mais competitivo num contexto de partilha de conhecimento, de recursos e de tecnologias no conjunto de todos os países de língua oficial portuguesa? Estas e outras questões serão por abordadas na I Cimeira de Lusofonia da Saúde que o Fórum Hospital do Futuro tem a honra de preparar em Maio deste ano em Portugal.
Esperamos por isso que este venha a ser um bom ano para todos, não somente para os portugueses, mas para todos aqueles no mundo que falam e nos lêem em português - este é também o vosso Fórum: bem-vindos!
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