No passado dia 17 de Dezembro realizou-se na Cidade da Praia, em Cabo Verde, o encerramento do I Curso Internacional de Especialização em Saúde Pública, no Centro de Formação Médica Especializado da CPLP. Com a presença das Ministras de Saúde de Cabo Verde e de São Tomé e Príncipe, foram atribuídos os diplomas de participação nesta 1ª fase do curso, a médicos provenientes de Angola, S. Tomé, Brasil, e Cabo Verde. Nesse mesmo evento foi apresentado o Canal CFME, através do qual se disponibiliza informação multimédia de um modo dinâmico e permanentemente actualizado.
Este evento permitiu mostrar que o espaço global da Lusofonia poderá constituir-se numa importante saída estratégica para todos os países de língua portuguesa, e que as atividades da cooperação internacional podem trazer importantes benefícios mútuos para todos os envolvidos: receptores e dadores. Pela sua posição estratégica entre Portugal e Angola, a meia distância entre o Brasil e Moçambique e muito perto da Guiné, o arquipélago de Cabo Verde poderá ser um ponto nevrálgico para a construção de um sector de Saúde em língua portuguesa, a nível global. Sem dúvida que a criação deste CFME na Cidade da Praia é disso um excelente exemplo. É bom ver que a CPLP está viva e bem ativa no sector da Saúde.
Cabo Verde constituiu para mim uma surpresa, pela forma exemplar como tem vindo a apresentar resultados não apenas na Saúde mas também em Educação, sectores que estão indissociavelmente ligados ao progresso social de um País.
Sem dúvida que a partilha de conhecimento em "governação de saúde" poderá ser um ponto importante para que os membros da CPLP possam aprender com as boas práticas e com os erros uns dos outros. Mas em Saúde, importa sobretudo ver o bosque além das árvores. Pensar que os recortes que possam ser feitos em Saúde, podem ter repercussões caríssimas do ponto de vista socioeconómico, e portanto prejudicar ainda mais a recuperação de um País.
Por outro lado, exemplos como os de Cabo Verde, mostram que os recursos da Saúde devem ser entendidos como uma parte dos recursos gerais de um Estado e se própria arquitetura do Estado não for pensada para "potenciar os ganhos em saúde", esse dinheiro dedicado à Saúde será sempre mal investido. Não serão nunca os hospitais quem possam fazer melhorar indicadores básicos de qualidade de vida. Antes pelo contrário, eles serão sempre os carrascos de qualquer tentativa de controlo de défice. E no entanto qualquer Serviço Nacional de Saúde necessita de ter hospitais saudáveis, do ponto de económico e financeiro, para combater a doença com máxima qualidade.
Esse desafio é real e num país pequeno como Portugal a receita pode passar pela concentração de serviços públicos. Tal como possivelmente tenha que acontecer com as autarquias, a magnitude da crise torna previsível a concentração de hospitais. De uma tentativa inicial em criar um único corpo de Hospitais (Públicos) SA em todo o País, talvez possam acabar por existir 5 hospitais-empresa: Norte, Centro, Lisboa, Alentejo e Algarve ou mesmo até um único grupo hospitalar empresarial que sirva as várias Regiões de Saúde em Portugal. Mas existe um documento público em debate, participe aqui.
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