
O impacto da sociedade moderna, aliado à exigente formação e à qualidade profissional, impõe uma expressão mais objectiva e mensurável do contributo dos cuidados de enfermagem na saúde dos cidadãos. Para responder às novas e exigentes estruturas organizacionais, e sobretudo às complexas necessidades das sociedades modernas, os Enfermeiros têm de mudar o enfoque da sua estratégia, concentrando-se numa visão mais sistémica, de forma a promover a interdisciplinaridade e a complementaridade intrínsecas à eficácia nos cuidados de saúde.
A centralidade dos cuidados obriga à assumpção efectiva do modelo de distribuição de trabalho de Enfermagem por Enfermeiro de Referência, atribuindo a cada cidadão o «Seu Enfermeiro», centrando no profissional que está mais próximo as respostas às necessidades de saúde da pessoa - família - grupo. Esta Enfermagem de que vos falo, da qual já se vão tendo alguns exemplos, é uma profissão em que o Cidadão é o eixo dos cuidados e o Enfermeiro se assume como um recurso básico, determinante, para o seu auto-cuidado, ajudando-o a decidir, ou decidindo com ele e construindo compromissos nos objectivos e nas acções.
Esta Enfermagem demonstra competências para o desempenho do seu papel estratégico e de pivot elemento de referência nos cuidados de saúde e, pelos resultados alcançados, assume, sem dúvida, uma prática profissional de excelência. Ao falarmos de prática baseada na evidência científica, valorizamos as competências específicas da profissão e a sua capacidade de tomada de decisão, promove-se a visibilidade dos cuidados e o desenvolvimento profissional orientando o exercício por uma visão sistémica e um pensamento crítico.
Acresce ainda que este «saber-ser» dos Enfermeiros tem as suas raízes nas competências comportamentais, como a liderança, a comunicação, a negociação, as relações interpessoais e a iniciativa, porque são as que efectivamente mais contribuem para a construção de compromissos e de objectivos na relação de cuidado entre o enfermeiro e o seu cliente -família - grupo.
Autor: Nelson Guerra, Associação Portuguesa de Enfermeiros Gestores e Liderança.
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