O 37º Congresso Mundial de Hospitais, encontro exclusivo de profissionais da área da saúde de todo o mundo, decorreu no passado mês de Novembro, no Dubai. Em entrevista ao Fórum Hospital do Futuro, Ana Escoval, Presidente da Direcção da APDH - Associação Portuguesa para o Desenvolvimento Hospitalar, entidade representante do Ministério da Saúde na Federação Internacional dos Hospitais (IHF), conta como correu esta edição.
HdF: Enquanto representante do Ministério da Saúde na Federação Internacional dos Hospitais (IHF), qual o balanço que a APDH faz ao 37º Congresso Mundial dos Hospitais?
AE.: Em termos gerais, penso que o balanço é bastante positivo. Embora deva ser salientado que o programa anunciado pelo 37º Congresso Mundial dos Hospitais, talvez tenha ficado um pouco aquém das expectativas, uma vez que poderia ter sido apresentado um maior número de trabalhos e estudos com maior evidência científica. De realçar, no entanto que nesta edição se verificou uma significativa redução no número de participantes, embora com um maior número de países envolvidos.
HdF: No âmbito do programa científico do IHF Dubai 2011, quais foram os principais assuntos abordados pela APDH na apresentação do tema “Patient safety cultures assessement: a way to enhance safety at hospital/unit level”?
AE.: Esta sessão foi organizada e da inteira responsabilidade da APDH e, centrou-se na avaliação da cultura de segurança. O Hospital Survey on Patient Safety Culture foi desenvolvido pela Agency for Healthcare Research and Quality e foi concebido para aplicar ao nível dos profissionais e para ajudar os hospitais a avaliar a sua cultura de segurança. Este questionário foi implementado nos hospitais norte-americanos e em 41 outros países, estando atualmente traduzido em 19 línguas. Está a ser aplicado, desde há cerca de dois anos, em hospitais portugueses.
Para o efeito contámos com a moderação do nosso vogal Carlos Pereira Alves (médico e Professor de Cirurgia no CHLC), que tem integrado o Board da HIF, em representação do nosso país, nos dois últimos anos. Como oradores participaram Joan Sorra (Senior Study Director of Westat), que desenvolveu o questionário de avaliação da cultura de segurança referido anteriormente. Esta investigadora apresentou os resultados do estudo que envolveu dados de 1.000 hospitais norte-americanos e 470.000 profissionais, em conjunto com as análises da cultura de segurança do doente relativamente às taxas de eventos adversos e dos níveis de satisfação do doente.
Foram igualmente apresentados por Margarida Eiras, Professora na Escola Superior de Tecnologias da Saúde de Lisboa (Instituto Politécnico de Lisboa) e doutoranda na ENSP/UNL, os resultados do seu estudo em três hospitais e num serviço de radioterapia e que pretendeu avaliar a cultura de segurança do doente.
Por último, Pedro Saturno, médico e Professor da Escola de Medicina da Universidade de Murcia (Espanha) apresentou os resultados de um estudo realizado em Espanha, cujo objectivo passou também pela aplicação deste questionário, sendo o seu tema central a utilização de indicadores de segurança do doente para a melhoria da segurança nos hospitais.
HdF: Na sua opinião, qual a importância deste congresso mundial para as organizações, enquanto plataforma de interacção e troca de opiniões com peritos da área hospitalar e da medicina?
AE.: Este congresso assume importância fulcral, enquanto plataforma de interacção e troca de opiniões de peritos, uma vez que concentra, num só espaço, uma multiplicidade de temáticas relacionadas com a governação clínica, a qualidade, o financiamento e que não só permite o conhecimento das melhores práticas, como também possibilita uma partilha de conhecimento, fundamental, para o acompanhamento por parte das organizações das mais recentes tendências e boas práticas a nível internacional.
HdF: Quais foram os temas do 37º Congresso que foram particularmente enriquecedores para os participantes? E quais os temas que deveriam ser mais explorados em Portugal?
AE.: Como temas especialmente interessantes e enriquecedores, foram os referentes à sustentabilidade do sistema de financiamento dos cuidados de saúde, nomeadamente as exposições efectuadas pela Canadian Healthcare Association que referiu alguns dos futuros desafios e soluções para a sustentabilidade no Canadá, bem como a realizada pelo Mark Pearson, Head of Health Division da Organizsation for Economic Cooperation and Development (OECD), que reforçou alguns dos desafios chave para um futuro sustentável na prestação de cuidados de saúde.
Por último, importa salientar a apresentação realizada pela Tracey Cooper sobre as mais recentes tendências no âmbito da qualidade e segurança do doente, bem como a sessão apresentada pela APDH, cuja apresentação dos resultados do questionário aplicado com vista a uma avaliação da cultura de segurança do doente em Portugal, Espanha e Estados Unidos da América permitiram um exercício de benchmarking bastante rico e de elevada qualidade científica.
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