
No âmbito do 47º Congresso Europeu de Diabetes, o maior congresso médico alguma vez realizado em Portugal, que reuniu mais de 18 mil pessoas, a maioria médicos e profissionais ligados à saúde e indústria farmacêutica, o Fórum Hospital do Futuro entrevistou o responsável pela organização do evento, Luís Gardete Correia, Presidente da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal (APDP).
HdF: Após conclusão do evento, qual o balanço que a Comissão Organizadora faz do congresso? Cumpriram-se os objectivos inicialmente estipulados?
LGC.: Este foi o segundo Congresso Europeu de Diabetes que se realizou em Portugal.Depois do realizado em 1989, que reuniu então 3500 pessoas, este ano contámos com 18.000 participantes de todo o mundo. Portugal ficou muito bem colocado pela capacidade em organizar uma reunião com aquela envergadura como pela participação científica com 42 trabalhos apresentados nas várias especialidades, um número muito bom que nos coloca à frente de muitos outros países europeus. Como é público, o evento decorreu no Pavilhão Atlântico e na Feira Internacional de Lisboa espaços dotados de excelentes condições, resultando no reconhecimento de uma das melhores organizações de que há memória.
Beneficiámos ainda da colaboração de entidades institucionais como a Secretaria de Estado da Cultura, do Turismo de Lisboa, do Metro/Carris e da Câmara Municipal de Lisboa. A presença de um tão elevado número de pessoas para além do impacto científico teve uma larga repercussão na cidade. O comércio, os restaurantes e os museus encheram dando uma agitação diferente neste inicio de época escolar.
HdF: Dentro da temática “Diabetes”, quais foram os principais subtemas debatidos durante os quatro dias da EASD?
LGC.: Podemos começar pela moção apresentar na Cimeira da Nações Unidas de sobre doenças crónicas e respectiva estratégia a propor. Os avanços no tratamento da diabetes bem como controvérsias na diabetes gestacional e novos critérios a apresentar. Outra das mesas redondas teve a ver com as recentes discussões e controvérsias sobre ensaios clínicos. A diabetes e o cancro foram outros dos temas com larga concorrência e acesa discussão. Temas mais gerais como Cuidados de Saúde na Europa ou mais viradas para a investigação como as novas descobertas na investigação na diabetes tipo 1 e 2 foram das temáticas que tiveram larga concorrência.
HdF: Para o futuro, que compromissos ficaram estabelecidos pelos investigadores e profissionais de saúde presentes no congresso?
LGC.: O Congresso da EASD é uma grande reunião onde se encontram clínicos e investigadores de todas as áreas. Como é de esperar muitos projectos e compromissos saem de encontros formais ou informais entre investigadores e clínicos.
HdF: Que conselhos daria aos diabéticos de forma a terem uma melhor qualidade de vida?
LGC.: Diria que, com os conhecimentos e os meios à nossa disposição que temos actualmente é perfeitamente possível ter uma diabetes controlada, vigiada, caminho fundamental para pensarmos num futuro com uma boa qualidade de vida.
HdF: Quais são os eixos prioritários da Associação Protectora dos Diabéticos de Portugal?
LGC.: Digamos que é nossa preocupação manter uma actividade assistencial de elevada qualidade envolvendo no nosso espaço físico todas as valências necessárias aos cuidados às pessoas com diabetes bem com manter e desenvolver a nossa acção formativa que realizamos todo o ano. Uma Pós Graduação em Diabetes deverá ter início nos próximos meses.
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